Andar no liceu era a "password"para se poder estar presente na
grande festa da Passagem de Ano, em casa dos meus Avós paternos!
Uma espécie de selecção, o que não admira, quando se tem 38 netos!
Para os mais novos havia no dia de Ano Novo um lanchinho,
com um tradicional balão a gás, preso na asa da caneca de cacau de cada um!

À casa do Tojalinho iam chegando os convidados,
tios-avós, os tios, as tias, os primos, as primas, os amigos !
Às 23h 59m começava a contagem decrescente,
que culminava com o brinde do costume:
À saúde dos presentes,
dos ausentes,
dos ausentes que pertencem aos presentes,
ou a eles venham a pertencer!
F. R .A. - frá,
F. R .E. - fré
F. R. I. - fri
F .R .O .- fró
F. R. U. - fru
Frá, Fré , Fri , Fró, Fru!
Ciribita tá tá tá
Urra! Urra!
Depois comia-se, bebia-se, cantava-se o fado!
Na salinha de jogo uns adultos jogavam às cartas,
outros ao Mahjong, com as suas pedras fascinantes,
os ventos, as estações, as flores, os bambus, os dragões!
Quem estivesse sossegado podia assistir e com um bocadinho de sorte, participar!
A primeira vez que me foi permitido jogar, ganhei!
Sorte de principiante, hoje tenho pena de nunca ter aprendido a jogar bem!
Na salinha do piano, uma algazarra, até se decidir por que ordem é que cada um podia tocar.
Ou melhor, martelar nas teclas, pois tocar não sabia ninguém de verdade!
E o pobre piano lá ia sofrendo sem dó,
até que chegava algum adulto e corria connosco dali para fora!
Com o avançar da madrugada, já cansados,
sentavamo-nos na escada principal, a da carpete vermelha,
espalhados como vasos a enfeitar os degraus, fazendo os nossos comentários,
sobre quem ia passando no hall da entrada, ou quem,
escolhendo caminho entre nós,
subia para ir ao quarto de banho do primeiro andar.
Até que chegada a hora de voltar a casa,
lá íamos meios a cambalear de sono para o carro,
valia-nos o caminho não ser longo e a certeza de que no dia seguinte
se podia dormir até às tantas!
Um BOM NOVO ANO para todos nós!
Hip, hip. urra!!!!