Querida Tona,
tinha quase três anos quando nasceste.
Não que me lembre , mas sei por ouvir contar, que poucos dias
depois de estares em casa, a Jesuína, a criada dos meninos, filha
da Ti Rosa da Fonte Boa da Brincosa, me proíbiu de entrar no
quarto da mãe, que estava contigo a descansar.
Não gostei da ideia e ao choro seguiram-se berros!
A pobre Jesuína, ela propria uma miúda de 15 ou 16 anos,
tendo esgotado todo o seu latim para me acalmar,
e não querendo desobedecer às ordens que lhe tinham sido
dadas, não viu melhor solução de que me pôr fora da janela
do 1º andar, agarrada por um braço e uma perna e dizer-me:
-"Ou a menina se cala, ou atiro-a da janela abaixo"!
Eu era pequena, mas não parva, pelo que me calei de imediato!
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Tal foi o susto!!!!
Perdi a fala e tive que aprender a falar, palavra por palavra.
No verão de 1972 o susto foi tragédia !
Perdi-te e tive que aprender a falta que me fazes, dia após dia!
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